sexta-feira, 1 de julho de 2016

Sobre a grande revelação dos 30 anos:

"Conta tua idade pelo número de amigos, e não pelo número de anos. Conta a tua vida pelos sorrisos, e não pelas lágrimas." (John Lennon)

"Sempre ouvi dizer que uma pessoa só alcança o auge de sua vida quando completa trinta anos; como se somente aos trinta a pessoa é capaz de perceber que precisa amadurecer e que todos os erros e escolhas, ao longo de sua jornada, a levou a uma verdade misteriosa. Sempre achei que eu teria uma grande revelação e costumo, até mesmo, brincar a respeito disso com meus amigos mais jovens.

                       Acho que me preparei demais para esse momento e quando a data finalmente chegou, fiquei buscando desesperadamente por respostas. Fiquei louco, querendo descobrir qual o sentido de tudo isso. Fiquei esperando ser iluminado por alguma luz e acordar mais maduro... Acordar diferente.

Já ouvi dizer que aos trinta anos as pessoas já estão com a vida ganha, carreira construída, família formada e o futuro bem planejado. E realmente isso acontece... Para alguns acontece aos trinta, para outros aos 25 e para alguns menos afortunados, isso não sai exatamente da forma esperada.

Ás vezes eu olho para a minha vida aos trinta e vejo que vivo hoje exatamente da mesma forma que eu vivia aos vinte ou aos vinte e cinco. Ainda moro no mesmo lugar, ainda falo com as mesmas pessoas, ainda estou meio perdido em minha vida profissional e ainda preso às mesmas canções que eu escutava no passado. Às vezes posso jurar que vivo preso em um looping infinito. Viver dessa forma não é, necessariamente, algo que eu abomine. Pelo contrário, me sinto afortunado em levar a vida da forma que eu levo.

A verdade é que se você está prestes a completar 30 anos e está ansioso pela grande revelação do sentido da vida, ela não virá da forma que você espera. Somente quando eu percebi isso é que eu entendi que, na verdade, essa grande revelação não é nada além de fragmentos que a gente vem recolhendo ao longo de nossa vida inteira. Como se vivêssemos costurando um imenso cobertor com os retalhos que apareceram ao longo do nosso caminho. Por um lado é gratificante saber que sempre tivemos as respostas necessárias para a maioria de nossas questões; por outro lado, ficamos mais apreensivos, pois percebemos que os retalhos continuam à nossa frente, que cada pedaço completa o outro e que iremos demorar a vida toda para completar esse cobertor.

Eu não vou negar que tive uma revelação e ela veio até mim quando, no dia em que eu completei 30, me olhei no espelho e, pela primeira vez, fui capaz de me enxergar. Vi apenas o meu rosto refletido ali, sem as ilusões que nos cercam, sem as promessas de amores eternos, sem a ilusão de estar rodeado por amigos virtuais, sem aquela falsa sensação de que a tudo é eterno.

Chega um momento em nossas vidas em que temos que aprender a deixar ir e a abrir mão de tudo aquilo que nos conforta e ao mesmo tempo nos engana... Abrir mão de certos pensamentos, mudar certas atitudes e, literalmente, viver a vida. Percebi que eu passava tempo demais preso em um mundo que minha mente criou e do qual eu já não era mais bem vindo. Só então entendi que eu havia gasto uma eternidade infinita tentando mudar o que eu não posso, me importando mais do que eu precisava com o que não era da minha conta, sendo menos amado do que eu realmente merecia e sendo menos do que eu sou capaz de ser.

Percebi que eu me divertia para os outros, que a minha vivida era vivida para se encaixar em um padrão inalcançável. Foi somente nesse momento que eu percebi que eu estava sendo empurrado na direção de um imenso abismo que muitos não são capazes de sair. Por um breve momento, enquanto eu me enxergava no espelho, eu vi toda a retrospectiva de minha vida e quase não consegui encontrar um momento em que eu me sentisse completo, feliz e realizado pelas minhas escolhas. Muitas das minhas atitudes no passado eram tomadas por medo do pensamento alheio, por medo do que alguém pudesse achar...

Não vou afirmar que eu consegui me livrar de tudo isso de uma hora para outra. É muita informação e muita coisa para viver diferente. Não sei o que as pessoas chamam de grande revelação. Talvez tenha alguém aqui, lendo esse texto, que teve a mesma revelação que eu ou que não teve revelação alguma.

Mas posso afirmar que aos trinta anos eu aprendi a me dar uma nova chance. Fiz um exercício maravilhoso que funcionou como uma terapia. Abri mão da minha vida de amigos virtuais exatamente no mês da comemoração dos meus 31 anos. Ao contrário do ano passado, onde recebi mais de trezentas felicitações, esse ano recebi muitas poucas mensagem ou ligações. Não fiz isso para guardar mágoa, mas apenas para afirmar aquilo que eu já sabia, somente aqueles que eu realmente me importava foram os que estiveram comigo nesse dia. 

Experimentem fazer isso um dia, vocês irão perceber que os seus verdadeiros amigos são aqueles que vocês conheceram desde a infância e que sempre estiveram presente em suas vidas, direta ou indiretamente, e que mesmo com a correria do dia à dia, reservaram um momento para te ligar, ou te abraçar. Me senti feliz, pois fui muito bem homenageado exatamente pelas pessoas que, no fundo, eu sabia que iriam se lembrar.

Sinto-me livre para viver a minha vida da forma que ela deve ser vivida. Não me estresso mais tentando desesperadamente encaixar minha vida complicada em algo inexistente. Já não me importo se tenho que abrir mão. Não me importo em agradar se não sou agradado. Não sinto mais a necessidade de ficar correndo atrás de algo ou alguém que eu acreditava ser necessário em minha vida somente para poder mostrar o quanto minha vida é imperfeitamente perfeita. Aprendi que mais vale reforçar os laços de amizade do passado do que tentar se amarrar a novos laços que não possuem a mesma força, pois muitas vezes somos os únicos a segurar essa corda.

Minha vida está ficando melhor e, aos poucos, entrando novamente nos eixos. Às vezes, ainda sinto a necessidade de um momento de silêncio e calmaria para aprender a lidar com tudo isso que eu aprendi. Pois, falo a verdade, se você olhar para trás, mesmo não gostando tanto da forma que vive, vai perceber o quanto você aprendeu e que, não importa quanto tempo demore, você vai acabar encontrando as respostas que precisa e, nesse momento, você será livre para sorrir... 

Você só tem que agüentar...

Mas será mesmo que eu só fui perceber isso aos 30 anos? Talvez sim! Ou talvez eu tenha aprendido com 29 ou com 31. A verdade é que eu realmente não sei a resposta certa. Às vezes eu tenho a sensação de que tudo isso não passa de uma saída fácil que minha mente criou para justificar as adversidades da vida. No fundo, talvez as respostas sempre estivessem lá, no mais intrínseco do meu ser.

Aprendi muitas coisas com meus 30 anos de vida, aprendi a amar, odiar, errar, acertar, pecar, perdoar, sorrir e chorar... Aprendi a me decepcionar e a confiar, aprendi a ser feliz nas lembranças de alguém querido, aprendi a me sentir seguro nos braços de minha família, aprendi a confiar nos braços de um desconhecido... Mas acho que a maior revelação dos trinta anos é justamente a simplicidade de se estar vivo!"

*     *     *


 Aguente
by Kari Rueslatten

Você foi a dançarina no escuro
Encontrou maneiras para aproveitar uma faísca
Mesmo quando o mundo foi derrubado
Você deixou este lugar sem volta

Em um tempo eu comecei a aprender
Eles tinham vindo para levá-lo para longe
De pé à fraca luz do sol
Eu ainda vejo a sua forma

Você tem que aguentar
Quando tudo que você vê é dias sombrios
Você tende a esconder seu rosto
Você sempre será o mesmo para mim

Eu não vou deixá-los levá-lo embora desta vez, não deixe ir
Hoje à noite há uma tempestade que se aproxima
Desta vez, ela bate em você com tanta força
Tudo o que você pode fazer esperar pelo amanhã
E seus sonhos serão feitos de sonhos

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