segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Leitura de Janeiro:

 

A Biblioteca da Meia Noite
by Matt Haig

A Biblioteca da Meia-Noite tinha tudo para ser um livro que me marcaria mais. A ideia de uma biblioteca entre a vida e a morte, onde cada livro representa uma versão diferente da vida que poderíamos ter vivido, é realmente interessante e prende logo no começo. Dá vontade de continuar lendo para descobrir até onde essa premissa vai.

Conforme a leitura avança, porém, o encanto vai diminuindo um pouco. As reflexões sobre escolhas, arrependimentos e felicidade começam a ficar muito explicadas, quase didáticas demais. Em vários momentos, tive a sensação de estar lendo uma espécie de autoajuda disfarçada de romance, com mensagens bem diretas sobre aceitar a própria vida e parar de idealizar caminhos que não foram seguidos.

A escrita é simples e flui fácil, o que torna o livro rápido de ler, mas também faz com que tudo pareça um pouco superficial. Os personagens secundários não me marcaram muito e parecem existir mais para reforçar as lições do livro do que para acrescentar profundidade à história. Além disso, as diferentes vidas vividas pela Nora acabam seguindo um padrão parecido, o que deixa a leitura previsível depois de um tempo.

Ainda assim, entendo por que tanta gente gosta desse livro. Ele é confortável, leve e pode funcionar bem para quem está em um momento mais sensível ou cheio de dúvidas sobre a própria vida. Para mim, ficou a sensação de que a ideia era ótima, mas poderia ter sido explorada de forma mais sutil e profunda.

No fim, foi uma leitura ok, que não me desagradou, mas também não me marcou tanto quanto eu esperava.

Nota: ★★⭑⭑⭑

sexta-feira, 3 de outubro de 2025

Leitura de Outubro:

Nunca Minta
by Freida McFadden

Os livros de Freida McFadden são conhecidos por serem leituras rápidas, leves e envolventes, perfeitas para quem busca se recuperar de uma ressaca literária. Foi exatamente nesse contexto que iniciei "Nunca Minta". Após uma leitura anterior arrastada e desmotivadora, encontrei no livro uma narrativa que me prendeu novamente, ainda que dentro da fórmula já conhecida em suas obras.

A trama gira em torno do misterioso desaparecimento da psiquiatra Adrienne Hale, uma renomada profissional e escritora que deixou para trás sua vida e sua mansão isolada. É justamente nesse cenário que o casal Tricia e Ethan surge: interessados em adquirir a casa, eles acabam presos no local por causa de uma nevasca. Durante a exploração dos cômodos, Tricia encontra fitas com as sessões da doutora e seus pacientes, o que dá início a uma segunda linha do tempo, revelando aos poucos os últimos passos de Adrienne.

Embora não seja um livro repleto de surpresas grandiosas, "Nunca Minta" conseguiu me enganar em certos momentos, entregando um plot twist divertido. A narrativa ágil e objetiva de McFadden contribui para que a leitura seja fluida, sem perder o ritmo e a atmosfera de mistério.

No entanto, como é comum em seus livros, não se deve esperar grandes respostas ou explicações consistentes no desfecho. A autora cumpre bem a proposta de entreter, mas se tentarmos buscar lógica em certos desfechos, a experiência pode se transformar em frustração. Então, leia, divirta-se, termine, feche o livro e não faça muitos questionamentos.

Nota: ★★★⭑⭑

quinta-feira, 2 de outubro de 2025

Leitura de Setembro:

 

O Sobrevivente quer Morrer No Final
by Adam Silvera

Sempre admirei as histórias de Adam Silvera. Desde o primeiro contato com sua escrita, me acostumei a acompanhar romances inspiradores, simples e envolventes e sem carregar pretensões exageradas. Essa relação se intensificou quando conheci o universo da Central da Morte.

No primeiro livro, “Os Dois Morrem no Final”, fui tomado por apreensão logo de início. O título parecia um spoiler, mas o enredo me surpreendeu pela forma inovadora de conduzir a trama. Os protagonistas foram muito bem desenvolvidos, e a conexão entre eles se deu de maneira natural, convincente e emocionante.

Já em “O Primeiro a Morrer no Final”, apesar de alguns pontos que me incomodaram, a experiência ainda foi positiva. O livro funciona como uma espécie de prelúdio, trazendo acontecimentos anteriores ao primeiro livro e apresentando novos personagens igualmente cativantes e bem construídos.

Porém, ao chegar ao terceiro volume, “O Sobrevivente Quer Morrer no Final”, a decepção foi inevitável. O livro possui mais de 600 páginas, mas não pela profundidade da trama, e sim pelo excesso. Muitos trechos soam repetitivos e não acrescentam em nada ao desenvolvimento da história, algo que inclusive foi apontado em outras resenhas que encontrei.

Outro aspecto que me incomodou foi a insistência em conectar essa narrativa às anteriores, principalmente ao segundo livro. Em vários momentos, essa tentativa pareceu forçada, enfraquecendo ainda mais a experiência.

O que mais me afastou, contudo, foi a sensação de estar lendo, em alguns trechos, um livro de autoajuda. Os novos protagonistas, Paz e Alano, não possuem o mesmo carisma dos anteriores. O relacionamento entre eles se mostrou morno e desinteressante, e nem mesmo a reta final conseguiu recuperar o fôlego esperado.

Talvez Paz e Alano funcionassem melhor em uma história independente, fora do universo da Central da Morte. Aqui, fica uma sensação de frustração. Para piorar, a última página trouxe uma revelação que, longe de causar surpresa, apenas gerou desconforto (sem spoilers).

Em resumo, enquanto os dois primeiros livros deixaram marcas positivas, o terceiro não conseguiu manter o fôlego. Adam Silvera continua sendo um autor que admiro, mas “O Sobrevivente Quer Morrer no Final” não alcançou o impacto que eu esperava.

Nota: ★★⭑⭑⭑

quarta-feira, 24 de setembro de 2025

Leitura de Julho:

 

Vou Te Receitar Um Gato
by Syou Ishida

Li o livro Vou te receitar um gato e foi como receber um abraço quentinho em forma de páginas. A leitura é leve, carinhosa e muito humana, quase como uma conversa com alguém que entende não só de gatos, mas também da alma da gente.

O que mais me encantou é a forma delicada como o autor mostra que os gatos não são apenas companheiros silenciosos, mas verdadeiros aliados do nosso bem-estar. Cada capítulo traz pequenas doses de afeto, lembrando o quanto um ronronar pode acalmar, um olhar pode confortar e um simples gesto felino pode transformar um dia pesado em algo mais leve.

Foi impossível não me sentir tocado. É um livro que aquece o coração e nos faz querer abraçar nossos bichanos ainda mais forte. Uma leitura fofa, cheia de ternura, que me deixou com a sensação de que, sim, os gatos realmente têm o dom de cuidar da gente.

R.I.P - Link - Meu pequeno companheiro felino de leitura que infelizmente se foi no período que eu estava lendo este livro

Nota: ★★★⭑⭑

domingo, 29 de junho de 2025

Leitura de Junho.4:

 

Branco Letal
 By JK Roling

Branco Letal é o quarto livro da série do detetive Cormoran Strike, escrita por Robert Galbraith (pseudônimo da J.K. Rowling). Dessa vez, a história começa com a visita de um homem perturbado chamado Billy, que aparece no escritório de Strike dizendo que viu um crime quando era criança, mas não consegue lembrar os detalhes direito. A partir daí, a dupla Strike e Robin mergulha numa investigação cheia de pistas confusas, política suja, chantagem e até assassinato — tudo envolvendo uma família rica e bem complicada.

A graça da série continua sendo a relação entre os dois protagonistas. O Strike continua aquele cara durão, meio ranzinza, mas com um coração meio escondido por baixo da armadura. Ele ainda carrega o peso da fama que conquistou, a dor física por causa da perna amputada e, claro, os traumas emocionais da relação com a ex-noiva Charlotte, que insiste em aparecer pra bagunçar tudo.

A Robin, por outro lado, está passando por um momento difícil: acabou de casar, mas já sente que o relacionamento tá afundando. Ao mesmo tempo, ela quer se provar como detetive, sofre com ansiedade, e vive dividida entre o que esperam dela e o que ela realmente quer ser. A química entre ela e Strike fica cada vez mais evidente, mas os dois continuam evitando qualquer passo fora da amizade — pelo menos por enquanto.

Embora o livro mantenha o padrão elevado da série em termos de mistério e desenvolvimento de personagens, é possível argumentar que Branco Letal sofre com seu excesso de páginas. Com mais de 600 páginas, a narrativa poderia ter sido mais enxuta sem perder em profundidade ou tensão. Há momentos em que o ritmo se arrasta, com descrições extensas ou subtramas que pouco acrescentam à investigação central. Uma edição mais concisa tornaria o enredo mais ágil e talvez mais impactante, nos mantendo presos à ação sem dispersar a atenção com desvios desnecessários.

Mesmo assim, Branco Letal é uma leitura que prende, especialmente pra quem já acompanha a série. O mistério é bem amarrado, os personagens continuam super interessantes, e a gente fica torcendo não só pra que eles resolvam o caso, mas também pra resolverem entre si. É mais do que um suspense — é sobre pessoas tentando se entender em meio ao caos.

Nota: ★★★★⭑

terça-feira, 24 de junho de 2025

Leitura de Junho.3:

 

Saboroso Cadáver
by Agustina Bazterrica

Ler Saboroso Cadáver é como encarar um espelho deformado da nossa própria realidade — grotesco, incômodo, mas impossível de ignorar. É uma distopia, sim, mas tão próxima do que vivemos que chega a ser desconfortável chamá-la de ficção. Agustina Bazterrica cria um mundo onde, após um vírus tornar a carne animal imprópria para consumo, a humanidade toma uma decisão brutal: institucionaliza o consumo de carne humana.

Nesse cenário perturbador, seguimos a rotina de Marcos, um funcionário de alto escalão em um frigorífico especializado no abate de “carne especial” — como os humanos criados e abatidos para alimentação passam a ser chamados. Marcos carrega suas próprias dores, especialmente a perda recente do filho e a internação de sua esposa em um hospital psiquiátrico, o que o torna um personagem apático, à deriva, e ao mesmo tempo perigoso, porque representa o que há de mais humano em meio ao inumano.

O ponto de virada da narrativa acontece quando ele recebe de presente uma mulher viva, criada para abate. A partir daí, o desconforto cresce, página após página. O leitor é forçado a observar a erosão completa de qualquer traço de ética, enquanto Marcos tenta justificar suas ações e navegar por esse mundo que já aboliu os limites do aceitável.

O que mais choca em Saboroso Cadáver não são apenas as cenas cruas ou a premissa absurda — mas o fato de que tudo faz sentido dentro daquela lógica. E esse é o verdadeiro golpe: perceber que, com pequenas adaptações, o sistema descrito por Bazterrica não está tão distante do nosso. Troque os humanos por animais, troque o abate por exploração sistemática, e o horror continua, apenas com outra embalagem. O livro obriga o leitor a se perguntar até onde vai o apetite humano por poder, controle e consumo.

A escrita é seca, direta, sem floreios. Não há espaço para poesia diante do horror banalizado. Por isso, mesmo sendo uma leitura que fere, ela flui — rápida, inquietante, quase como um soco que a gente só percebe completamente depois que já caiu. Em poucas páginas, somos levados a confrontar o que significa ser humano, consumir, obedecer e, acima de tudo, se anestesiar diante da barbárie.

Saboroso Cadáver é um livro que te suga para dentro do pesadelo e depois te devolve ao mundo real — mas com os olhos mais abertos. Não é para todos, mas talvez devesse ser.

Nota: ★★★⭑⭑

quinta-feira, 12 de junho de 2025

Leitura de Junho.2:

 

A Contadora
by Freida McFadden

Conheci Freida McFadden depois de ouvir muita gente comentar sobre a série “a empregada”. Resolvi ler o primeiro volume da série e gostei bastante. Foi uma leitura leve, com personagens interessantes e uma reviravolta que me pegou de surpresa. O segundo livro manteve a qualidade, mas comecei a sentir que a fórmula estava se repetindo um pouco. Já no terceiro, a história ficou morna, sem aquele “uau” que a gente espera de um bom thriller. E aqui temos “A contadora”.

Neste livro, conhecemos Dawn Schiff, uma contadora excêntrica, socialmente desajeitada e apaixonada por tartarugas, que trabalha na Vixed, uma empresa de suplementos. A rotina dela é quase cronometrada. Mas quando Dawn desaparece de repente, quem começa a desconfiar é sua colega de trabalho, a atraente e bem-sucedida Natalie Farrell. 

A situação fica ainda mais estranha quando Natalie encontra uma ligação anônima gravada na mesa de Dawn. A partir daí, ela começa a investigar o que está por trás desse sumiço, mergulhando em um jogo perigoso e cheio de segredos.

Sendo bem sincero, o início da leitura não me empolgou, achei que a história demorou a engrenar. Mas depois da metade o ritmo mudou, pois sempre me divirto nas partes investigativas dessas histórias.

O problema é que, ao longo do livro, a autora recorre novamente aos mesmos recursos de sempre. Quem já leu outras obras dela vai perceber isso. A estrutura se repete, os truques também, e o tão esperado plot twist simplesmente não convence. Parece que faltou inovação. E quando chega o final, tudo se resolve tão rápido que fica uma sensação de que algumas situações e personagens mereciam um desfecho mais elaborado.

A Contadora tinha potencial para ser melhor. Tem momentos bons, algumas tensões bem construídas, mas acaba com um final sem graça. Pode funcionar como uma boa distração para quem nunca leu nada da autora, mas para quem já conhece o estilo da Freida, é bem possível que este livro pareça apenas uma versão mais apagada do que ela já entregou antes.

Nota: ★★⭑⭑⭑



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