quarta-feira, 29 de janeiro de 2020

Sobre uma saudade que não para de crescer:

"Às vezes, a saudade é tanta, que até o latido dos cachorros me faz pensar que é você quem está voltando"

Olá minha querida rabugenta. Hoje completa exatamente três meses sem você. Te escrevo esta "carta" para contar como estão as coisas por aqui.

Certa vez eu li que começamos a nos adaptar aos efeitos causados por uma perda, cerca de três meses após o ocorrido. Não foi bem isso que aconteceu. Ainda penso em você todos os dias. Não consigo tirar você da minha cabeça e menos ainda parar de me culpar pelo que aconteceu.

Não quero entrar novamente naqueles detalhes cruéis, mas eu queria que você soubesse que eu sinto muito.

Nos mudamos daquela casa. Eu não tinha condições de continuar ali... Não depois do que aconteceu, pois tudo me lembrava você. 

Seus pêlos estavam pela casa, seu cheiro, as manchas que você deixou na parede. E a cada manhã eu acordava cada vez mais triste por não te ver entrando no meu quarto. Achei que se eu mudasse de casa, poderia voltar a ficar bem...

...Não foi o que aconteceu! 

Hoje eu olho para os cantos da nova casa tentando imaginar qual deles você escolheria para chamar de seu. Hoje eu olho para os novos cômodos e penso que ali, naquela nova casa, aquilo jamais teria acontecido. 

Preciso confessar que, às vezes, me pego perdido olhando para o céu procurando sua forma nas nuvens e tento imaginar que, de alguma forma, você está ali olhando por nós.

Desculpe-me pela tristeza, prometi que não falaria coisas tristes, mas é inevitável; pois eu ainda sinto a sua falta. 

Você se lembra das noites em que eu chegava do trabalho e você se sentava ao meu lado? Eu passava um bom tempo brincando e contando sobre o meu dia pra você. Você deitava sua cabeça na minha perna (com seu rabinho sempre balançando), e, mesmo que não pudesse me entender, você me transmitia toda a calma que eu precisava.

Sinto falta destes momentos. Tenho tantas fotos suas, mas ainda é difícil lembrar...

Está chegando o momento em que você completaria um ano em meus braços. Vai ser triste, pois eu tinha planos para esse dia... Agora jamais saberemos a sensação de celebrar esta data juntos.

Estas são as novidades por enquanto...

Sei que isto é um blog e que eu não deveria escrever para um cachorro que quase não entendia as coisas que eu falava. Mas pra mim éramos uma família, e foi você que eu escolhi amar, uma princesinha de quatro patas.

Espero que você continue brilhando aí no céu. Espero que você esteja rodeada de amigos... Espero que estejam cuidando muito bem de você, pois você merece toda a paz e tranquilidade que eu sei que você está recebendo aí no céu dos cachorros neste exato momento.

Pode vir me visitar nos meus sonhos sempre que você tiver vontade. Sei que vida aí no céu é melhor do que a que você teve na maior parte aqui na terra; mas espero que você ainda se lembre do amor que eu sempre tive por você; pois o que tem de dado forças pra continuar longe de você é justamente a lembrança do amor incondicional que você me deu.

Sinto sua falta, minha amiga!

*     *     *


segunda-feira, 27 de janeiro de 2020

Leitura do mês de Janeiro.2 -> "Você tem a vida inteira":

HIV não mata. PRECONCEITO sim.
Ano: 2018 / Páginas: 288
Idioma: português
Editora: Galera Record
Por: Lucas Rocha

No final de 2019 eu comprei cinco livros com temática LGBTQI+, sem saber do que a história se tratava. Terminei o último livro essa semana e posso dizer que, dos cinco títulos, dois deles me surpreenderam de forma positiva, o primeiro que eu li e esse último que é o livro que irei comentar abaixo.

Após a leitura eu comecei a pesquisar a opinião de outras pessoas na internet. Um dos comentários que mais me chamou a atenção foi de um garoto que dizia mais ou menos o seguinte: "O livro parece mais com uma cartilha sobre o HIV do que necessariamente uma história". 

Fiquei com essa frase na cabeça enquanto eu tentava formular uma opinião sobre a história que eu havia acabado de ler; e cheguei a conclusão de que realmente o livro pode até funcionar como uma cartilha, principalmente quando os personagens estão em consultas médias e tirando as dúvidas a respeito do vírus, mas não necessariamente quer dizer que isso seja um aspecto negativo da história, pelo contrário!

Seguindo um dos comentários de um dos personagens, é fácil romantizar uma situação quando você não está envolvido nela. E, realmente, é fácil falar "eu não tenho preconceitos", quando você não está sendo desafiado em sua zona de conforto. É fácil fingir que certas coisas não existem quando você acha que estas coisas estão fora de sua realidade; o difícil é perceber que o HIV e a AIDS, são assuntos que precisam ser discutidos e entendidos por qualquer pessoa. Justamente para que o preconceito não nos obrigue a agir e pensar de forma equivocada.

A maioria das questões abordadas na história ainda é desconhecida; e, somente quando alguns personagens expõem seus medos e preconceitos a respeito do vírus, é que nós, leitores, percebemos que também temos as mesmas questões e preconceitos dentro de nós mesmo. Quanto o autor lança questionamento através de diálogos, eu tenho a sensação de que ele está fazendo estes questionamentos diretamente a nós leitores.

Destaco aqui a passagem em que certo personagem tem medo de perder o emprego quando a sua doença é exposta e acaba chegando ao conhecimento da sua supervisora. Tive conhecimento de uma situação parecida em um local de trabalho; só que nesse caso, a pessoa superior não foi tão tolerante quanto à personagem da história.

Então sem mais demora, vamos à história: O livro é centrado em três personagens: Victor, Ian e Henrique. Os três têm seu destino alterado após dois deles receberem o diagnóstico em um centro de tratamento. 

Dois personagens são apaixonados e o terceiro entra na vida dos outros dois por acaso. Não acho necessário contar quem é quem nesse rolo, justamente para não estragar a história. 

Gostei da forma como o caminho dos três acaba se conectando. Achei os três personagens interessantes, com suas dúvidas, seus preconceitos, suas formas de encarar o mundo, os problemas que vão surgindo ao longo da história e a forma como o conhecimento acaba fazendo com que eles abram a mente.

A gente acaba se envolvendo e acompanhando um pouco do que é a caminhada após o diagnostico e, foi justamente isso, que em minha opinião tornou a leitura mais interessante. Aprendi termos e detalhes que eu não conhecia. Alguns interessantes, outros assustadores. 

A história tem muitas situações pesadas que acaba sendo amenizadas pela simplicidade da história de amor que rola entre os personagens. A amizade também é muito bem trabalhada aqui; o que mostra que amigos, em muitas situações, são mais valiosos que família. E por falar em família, eu senti falta de uma relação mais aprofundada entre os personagens e seus familiares; gostaria de saber qual seria a reação dos pais de um dos personagens após a descoberta do diagnóstico. Mas isso não afetou a leitura. 

Então se você procura um livro apaixonante, com personagens cativantes, eu indico este livro. Você vai embarcar em uma jornada que começa de forma escura e sombria até um final emocionante e completamente colorido.

Obs.: Essa é uma opinião pessoal.

Nota: ★★★★✩

quarta-feira, 22 de janeiro de 2020

Leitura do mês de janeiro -> "Quinze Dias":

"O mundo inteiro é seu"
Ano: 2017 / Páginas: 208
Idioma: português
Editora: Globo Alt
Por: Vitor Martins

Eu ganhei de presente de aniversário do ano passado o segundo livro do mesmo autor: “Um milhão de finais felizes”. Eu me apaixonei pela leitura e fiquei muito empolgado quando descobri que o autor havia lançado primeiro o “Quinze dias”. E dessa forma, eu resolvi ler o livro em questão.

Vamos à história: Felipe está prestes a entrar de férias e aliviado por poder passar uns dias longe da escola e todas as pessoas que diariamente o tratam mal por ele ser gordo; a ideia inicial seria passar as férias maratonando séries, assistindo filmes, lendo livro e coisas do tipo.

Porém as coisas saem dos eixos quando sua mãe decide hospedar Caio (o filho de seus vizinhos) durante quinze dias em sua casa. Felipe sempre teve uma paixão por Caio e vai precisar lutar contra suas inseguranças para ir atrás daquilo que ele deseja.

O me chamou a atenção no segundo livro do autor, foi exatamente o que senti falta nesta primeira história. Aqui temos um protagonista envolto em suas questões, lutando contra sua baixa autoestima, com uma lista de inseguranças devido à sua condição e apaixonado por um garoto que segundo ele mesmo descreve, é um padrãozinho.

A todo o momento eu sentia pena do Felipe pelas situações que ele passava e pela forma como ele descrevia sua rotina antes de Caio entrar em sua vida. Certamente essa não seria a intenção do autor, mas não tem como não desenvolver tal sentimento quando Felipe nos lista tudo o que já passou e a forma como essas situações afetaram sua vida.

Felipe não é um protagonista divertido e cheios de manias que nos cativa. Caio não tem uma personalidade forte o suficiente que justifique fato de ter conseguido tirar Felipe do seu mundo de auto-piedade.

Outro ponto que deixou a desejar foi a demora em acontecer alguma coisa... Geralmente os personagens ficam envoltos em uma mesma rotina; e, quando alguma coisa finalmente acontece, dura pouco tempo e logo somos puxados de volta ao mesmo.

Tudo bem que esta é a história do Felipe, mas algumas sub-tramas poderiam ter sido desenvolvidas de outra forma. Um dos exemplos disso seria o relacionamento entre Caio e sua mãe Sandra; afinal de contas, em diversas situações os dois são pegos conversando ao telefone de maneira misteriosa e quando os dois finalmente se reencontraram, o que veio a seguir foi desenrolado de forma genérica.

 Outro exemplo é o relacionamento entre a mãe de Felipe e os pais de Caio  que poderia ter sido  desenvolvido de uma forma mais detalhada para justificar o fato de que, dentre todas as pessoas do prédio, a mãe de Caio escolheu justamente a família do Felipe para abrigá-lo durante 15 dias (tudo por que eles não queriam que o menino - que já era adolescente - ficasse em casa sozinho).

Não posso negar que o livro tem algumas passagens fofinhas; em certo momento a gente até chega a sorrir com algumas situações. Mas em seguida, quando a rotina volta, fica difícil de continuar mantendo o sorriso.

Terminei o livro e, ao contrário de muitos outros que eu li por aí, não consegui ser cativado pelos personagens apresentados; ao longo da leitura rolou apenas um carinho por eles e uma pequena torcida para que tudo desse certo no final.

Obs.: Essa é uma opinião pessoal.

Nota: 

sexta-feira, 29 de novembro de 2019

Sobre minha Bisteca:

"Você deixou um grande vazio em minha casa e em meu coração. Te procuro em todos os cantos, mas tudo o que restou foi o vazio e essa saudade que não para de crescer"

"O sol nasce novamente... Acordo sentindo uma agitação no peito.
Faz 01 mês que você não entra em meu quarto às seis da manhã atrás de comida.
Seu pote de ração permanece vazio... Sua vasilha de água permanece seca.
Passo pela sala, mas já não existe seu olhar atento a cada movimento meu.
Seu cantinho agora está vazio. Seus brinquedos guardados em algum lugar qualquer.
Aquela coberta de bichinhos que sempre te aqueceu, permanece dobrada... 
Ela ainda tem o seu cheiro, não quero lavar.
Sua coleira permanece guardada esperando por um passeio que jamais vai acontecer.
Ando pela casa sem olhar para o chão, você já não está atrás de mim.
Abro a geladeira e você já não vem atrás de um petisco.
Escuto um barulho de fogos ao longe, você odiava, mas não escuto seus latidos.
Ainda encontro seus pelos pela casa...
Saio pensando em ti... Volto sabendo que não serei recebido com suas lambidas...
Várias noites, enquanto você dormia, eu prometi que iria te proteger. Me desculpe!
O que me restou foi apenas uma foto sua no lugar mais alto da minha estante.
Enfeitei o porta-retratos com aquele lacinho que você usou na páscoa... Achei que você iria gostar...
Você já não pode me sentir e eu já não posso te tocar... Sinto saudades!
Te resgatamos tarde demais... Você partiu cedo demais...
Fecho os olhos e te imagino correndo em algum lugar bem bonito sem as limitações que a vida te causou.
Desculpe-me se chegar o momento em que eu não mais falar de você todos os dias...
Desculpe-me se chegar o momento em que passarei direto pela sua fotografia...
Eu jamais irei te esquecer... Mas chegará o momento em que eu precisarei seguir em frente...
Chegará o momento que precisarei sorrir com as lembranças e parar de chorar com o que poderia ter sido...
Por favor, não se esqueça de mim... Vou estar sempre por aqui aguardando o nosso reencontro
E quando esse momento chegar, quero ser recebido com suas lambidas novamente...
Por enquanto é chegado o momento de te deixar descansar... Até breve...

Sinto sua falta, minha amiga!"

quarta-feira, 30 de outubro de 2019

Sobre um adeus de quatro patas:

Uma parte de nossa família se foi. Nosso cachorro, nosso maior companheiro. Aceitar essa perda não é fácil, mas sempre teremos a memória do amor que ele nos deu. E amor de cachorro é o maior amor desse mundo.

"Há nove meses, eu e meu companheiro recebemos uma proposta inusitada. Fomos convidados a tomar conta de uma cachorrinha que havia sofrido bastante na vida. E aceitamos o convite mesmo sabendo de todas as adversidades a cerca da situação.

Assim, em um dia de fevereiro de 2019 a Bisteca chegou em nossa casa. 

Quando a vi pela primeira vez, me dei de cara com uma cachorrinha acanhada, um pouco arisca, não aceitava carinho, não brincava, o corpo coberto de pulgas. Um olho danificado e inflamado o outro mal enxergava. Meu companheiro deu o seu primeiro banho e dali em diante sabíamos que ela seria nossa filha.

Confesso que no início eu estava um pouco receoso. Eu sou um pouco contra mudanças. Eu já tinha um cachorro, uma rotina e achava que uma nova presença poderia mudar tudo. 

Ela não sabia fazer as necessidades em locais específicos e a casa amanhecia suja toda manhã. O rosto dela era diferente, marcado, severo. E eu ficava com um pouco de nervoso em me aproximar.

Até que me vi sozinho com ela pela primeira vez e me vi responsável pelos seus cuidados. Eu olhei para ela e percebi o quanto ela era inocente, o quanto ela era frágil e precisava de atenção. E quando eu entendi que aquele olhar escuro era um pedido silencioso por ajuda, tudo mudou.

A Bisteca foi uma cachorrinha muito meiga, que vivia balançando o rabinho, sempre amável, nunca fez mal a ninguém.

Aos poucos ela foi se soltando. Aos poucos foi aprendendo a fazer as suas necessidades no local específico (tudo bem que ela errava o local em quase 90% das vezes, mas ela se esforçava kkkk). E eu já nem me importava mais. Minha rotina era maravilhosa. E a minha ligação com a Bisteca mudou quando ela veio me receber na porta pela primeira vez, mesmo sem ter me escutado, só pelo cheiro.

O tempo foi passando, eu fui me apegando, fui ficando apaixonado por ela. Minha maior alegria foi tê-la levado uma vez em um parque para ela conhecer a grama. Lembro-me da primeira vez em que ela foi a um petshop pra tomar banho, voltou toda elegante, cheia de pedrinhas coloridas coladas na nuca. Apesar das marcas da vida, ela ficou muito bonita toda arrumada. Até mesmo quando colocamos uma roupinha para o frio.

Toda manhã éramos acordados bem cedo quando ela pulava na ponta da cama atrás de comida. Seu espirro era certeiro. E íamos lá, na maior satisfação, colocar sua comida. Ela rodava de felicidade. 

Seu rosto mudou, parecia que ela sempre sorria, parecia que ela havia esquecido de vez os maus tratos que sofreu ao longo de sua vida.


Agora, olhando para trás, eu gostaria muito de ter recebido um sinal de que o nosso tempo estava acabando.

Em um dia fatídico (30/10) saí para o trabalho e deixei a Bisteca e seu irmãozinho em casa com ventiladores. Não sei por que ela foi parar na cozinha, onde é o local mais quente, e lá permaneceu até meu companheiro chegar. Sua temperatura aumentou drasticamente, ela já não andava, já não bebia água. Meu companheiro correu com ela para o ar condicionado e me ligou, dando a pior notícia possível: a bisteca está morrendo. Saí do trabalho no meio do expediente e corri pra casa.

Cheguei lá a ponto de vê-la recuperando as forças e energias, acreditei que ela iria melhorar, mas ela cerrava os dentes e não respirava, começou a ficar agitada. Ficamos com a faca e o queijo nas mãos: Ou tentaríamos reanimar ela em casa mesmo, ou a levaríamos para o veterinário onde ela seria mais bem assistida. Então decidimos o veterinário.

A Bisteca chegou lá com a temperatura elevada. Foi uma correria para ajudá-la. E por um momento achei que tudo ficaria bem. Fui até em casa ver como seu irmãozinho havia ficado e eis que recebi uma notícia que abalou o meu mundo: A Bisteca se foi!

Achei injusto, olhei para a minha roupa e vi seus pêlos em mim, olhei para o chão de casa e lá estavam suas coisas, seu cheiro. NÃO PODIA SER VERDADE.

Corri o mais rápido que eu pude em direção à clínica. E lá estava ela, nossa Bisteca, deitada em cima de uma maca fria, sem vida. 

Aproximei-me e agarrei seu corpinho... Desesperei-me... Seu único olho ainda estava aberto, mas agora em completa escuridão. Pedi para ela voltar, queria que fosse que nem os filmes, eu queria que ela me sentisse ali e voltasse para mim. Sussurrei em seu ouvido que ainda tínhamos muitos planos para fazer juntos... Mas ela não me ouviu... Ela não se mexeu... Ela não voltou...

Fiquei sem chão e ainda estou. Escrevo este texto em forma de homenagem para que a memória dela fique sempre presente e para que outras pessoas saibam que existiu uma cachorrinha muito inocente que, mesmo tendo sofrido, ainda nos ensinou o significado do amor. Pensei que eu tinha tanta coisa pra ensinar a ela, mas hoje eu me surpreendo, pois percebi que ela quem me ensinou.

Foram nove meses aturando as mordidas do seu irmão Rick, foram nove meses mordendo quem colocasse as mãos em sua cabeça, nove meses latindo para os fogos, nove meses vindo nos acordar atrás de comida... Agora será uma vida inteira sentindo sua falta... Meses e mais meses olhando para o seu cantinho vazio... Uma vida inteira sem te escutar, sem te sentir e sem ser recebido por você. Sinto sua falta, se eu pudesse fazer um pedido, eu gostaria de ter mais um tempinho com você.

Muito obrigado pela sua companhia e por ter sido essa nossa amiga leal. Espero que agora você esteja em algum lugar bem bonito, espero que você tenha recuperado sua visão e que esteja vendo o quanto sentimos a sua falta. Desculpe-me pela sua vida sofrida, te resgatamos tarde demais. Espero que você tenha sido feliz aqui. Você nos fez muito feliz. Você está tendo o seu merecido descanso. Fique com Deus minha linda, agora é finalmente chegada a hora de você brilhar, minha estrelinha!"


Até breve...



*     *     *




*     *     *


Quatro Patas de Amor
By Marcus Eni

Me perdoe o meu desespero
Por sentir falta de você
Comi o controle da TV
E baguncei seu quarto inteiro
Mesmo sabendo que você
Iria ficar pra morrer
E quando eu fugi de casa
Queria só me aventurar
Sabia que ia me encontrar
E me desculpe se eu não me contenho
Ao ver você chegar
Eu não paro de pular
E sobre o lixo todo revirado
É impossível te negar
Comida boa é a de lá
E sobre eu não ser muito fã de gatos
É que eles amam tirar sarro
Por eu não pegar meu rabo
Vou ficar bem pertinho
Mesmo que queira ficar só
Vou rolar, deitar
Fazer de tudo
Pra você ficar melhor
Vê se não se esquece de mim
Porque tudo o que eu tenho é você
Sempre que você vai pro trabalho
Eu morro de medo de não mais te ver!
A casa ganhou um bebêzinho
Entendo a preocupação
Prometo só ficar no chão
Aquele era o meu cantinho
Não vou ficar ali mais não
Vê se não fica bravo não
Você quase não brinca mais comigo
Entendo que anda ocupado
Me desculpe ser tão chato
Mas algo mais ta mexendo comigo
Parece não que não tem espaço
Mais para o seu velho amigo
Você me deixando aqui
Eu não vou saber voltar
A noite faz frio e eu
Me acostumei a ter um lar
Você é minha família
E agora quer me deixar
Me desculpe por comer
As almofadas do sofá

domingo, 18 de agosto de 2019

Sobre relacionamentos

O que a maioria de nós leva para o relacionamento não é a plenitude, mas a carência. A carência implica uma ausência dentro de si... A carência é uma força poderosa, capaz de criar ilusões poderosas. Ninguém pode realmente entrar dentro de você e substituir a peça que está faltando. (Deepak Chopra)

"Algumas pessoas são criadas com a ideia de que precisam encontrar um parceiro para que não passem a vida sozinhas; como se você não fosse completo se não tivesse uma alma gêmea ao seu lado para compartilhar todos os seus sonhos e conquistas. E, dessa forma, a solidão (Que nem sempre é algo negativo) se tornou um monstro temido pela maioria das pessoas nos dias de hoje.

Cresci em uma família onde meus pais estiveram casados a vida inteira (Hoje eles têm mais de 40 anos juntos); assim como meus avós e alguns tios. Eu, particularmente, fui influenciado por aquela ideia de casamento, onde eu encontraria uma única pessoa e passaria o resto da minha vida com ela.

Antes de completar 20 anos, eu iniciei um relacionamento e passei então a experimentar pela primeira vez o que as pessoas chamam de vida à dois. Naquela época, a ideia de relacionamento era um pouco diferente da que temos hoje (e olha que foi há apenas 15 anos). A ideia de relacionamento era um somando na vida do outro sem ter a necessidade de trazer ninguém mais para dentro do relacionamento.

Os momentos íntimos eram mantidos apenas na intimidade, as conversas ficaram apenas entre os dois e não havia a necessidade de dividir com pessoas de fora aquilo que se vivia entre quatro paredes.

Basicamente, continuaríamos com a nossa vida da forma como sempre foi, porém dali em frente teríamos um compromisso de companheirismo. Onde espontaneamente dividiríamos todas as nossas conquistas, toda a nossa bagagem e iríamos atrás de novos sonhos.

Fui tomado pela ideia de que um casal nunca está sozinho. Que um precisa dar apoio incondicional ao outro, que tanto nos momentos bons quanto nos ruins o sentimento não iria diminuir. Como se precisássemos viver cegos com olhos apenas um para o outro. Mas não é isso que os livros e filmes nos passam? A ideia de que um relacionamento é quase uma obsessão.

Com o passar dos anos, a tecnologia acabou tomando o lugar do tradicionalismo e muitas das coisas que fazíamos cara a cara passaram a ser feitas através do toque em uma tela.

Tudo bem, eu também havia crescido com a ideia de que relacionamentos nem sempre dão certo, afinal eu também tinha alguns membros em minha família que haviam se separado e estavam bem.

Precisei adaptar um pouco a minha ideia de relacionamento e acabei por me moldar aos novos tempos. Confesso que não foi fácil de uma hora para a outra quebrar certas tradições e confesso que ainda tenho dificuldades em aceitar certos padrões em minha cabeça.

Com o passar do tempo, também, eu acabei percebendo que muitas das histórias que eu via em minha família, não eram tão fortes e tão felizes assim. 
O que prova que nem mesmo no passado a ideia do “felizes para sempre” era algo tão próximo quanto eu imaginava.

Não nego que após os trinta eu ainda acredito em amor eterno e em relacionamento onde só existam os dois. Porém, hoje em dia, as coisas estão tão fáceis, as opções tão vastas e a facilidade tão grande que muitos outros fatores acabaram sendo agregados ao valores antigos e acabamos por viver em uma sociedade que tem dificuldades em se prender a uma única pessoa quando existe um leque de possibilidade lá fora só esperando por um “match”.

Para justificar, criou-se a ideia de que a sociedade não é monogâmica e ficou mais fácil aceitar essa verdade do que lembrar que existe um grande prazer em se relacionar com apenas uma pessoa. Que ter um amigo (a), companheiro (a), namorado (a), marido, esposa em uma única pessoa, é um grande privilégio (Em alguns casos, é claro). No fundo, cada indivíduo precisa mesmo saber o que quer, se quer ser feliz sozinho, seja feliz sozinho. Se que ser feliz em um relacionamento, seja feliz em relacionamento. O que não pode é misturar as coisas. Viver com alguém é tão certo e prazeroso quanto viver com você mesmo e da mesma forma viver buscando em pessoas diferentes aquele sentimento de paz e tranquilidade sem compromisso.

Aos 35 eu percebi que na vida você tem que contar apenas com você, e ser feliz por isso. Isso não quer dizer que relacionamentos são falsos ou vazios; ou que namoro ideal não exista. Pelo contrário, temos também que viver nossos relacionamentos com ideia de que chegará um momento em que precisaremos tomar certas decisões sozinhos e que precisamos cuidar de nós mesmos e nos proteger sem a necessidade do poio de uma outra pessoa a todo o momento. E quanto mais rápido encararmos e aceitarmos esta ideia, as chances de nos decepcionarmos serão cada vez menores.

Viva com alguém e viva por você. Se relacione com alguém e se relacione em especial com o seu interior. Esse é o relacionamento mais verdadeiro que existe. Pois, quando você está em paz consigo mesmo, disposto a encarar o que vier (as vezes com ajuda e as vezes sem ajuda), você vai perceber que tudo aquilo que sempre precisou, estava em você o tempo todo e só você não havia notado.

Ame... Viva... Se entregue... Se apaixone... Brigue... Faças as pazes. Não esqueça o amor e não esqueça de que você pode amar e ser amado em retribuição, mas não evite agir em certas circunstâncias com medo de ficar sozinho, pois caso você ainda não tenha percebido, nascemos sozinhos e no final iremos fechar os olhos sozinhos."

*     *     *


Todos Nós Dormiremos Sozinhos
(by Cher)

Alguém, em algum lugar, apaga as luzes.
Alguém muito solitário enfrenta a noite.
Você tem de ser forte, quando estiver lá fora e sozinho.
Porque mais cedo ou mais tarde, todos nós dormiremos sozinhos.

Ninguém, em lugar algum, possui a chave do seu coração.
Quando o amor é uma posse, ele acaba com você.
Talvez você tenha amores por onde você vá,
Porém, mais cedo ou mais tarde, todos nós dormiremos sozinhos.

Os jovens, e os jovens de coração, esperam,
Mas a espera na alma nunca acaba.
Quando você sente que todo o amor está quase indo pelos ares
A independência chega
E noite afora eu vou!

Não faço promessas que não posso cumprir
Eu não quero ser prisioneiro das necessidades de alguém.
Talvez você tenha amores por onde você vá,
Porém, mais cedo ou mais tarde, todos nós dormiremos sozinhos.
Ooo, todos nós dormiremos sozinhos.

Sim, sim, todos dormimos sós, sim
E eu sei, eu sei, como você se sente,
Como se eu advinhasse o que voce quer dizer,
Porque todos nós dormimos sozinhos
Sim, todos dormimos sozinhos.

sábado, 23 de fevereiro de 2019

Sobre acreditar no destino:

"Não é necessário voltar ao passado para consertar possíveis erros teus! Continue a caminhar pois em dado momento, naquilo que tu chamas de futuro, a oportunidade de faze-lo vai aparecer e com muito mais proveito. Basta estar atento! (Odair Flores)"
"Se você pudesse voltar no tempo sabendo como seria sua vida, você ainda assim faria as mesmas escolhas que te tornaram a pessoa que você é hoje? Você ousaria mudar alguma coisa mesmo sabendo que isso, possivelmente, mudaria quem você é? 

Quando eu era mais jovem eu costumava acreditar no destino. Eu acreditava que tudo estava escrito para acontecer e que se algo desse certo era por que eu estava no lugar certo na hora exata; ou, se algo desse errado, eu acreditava que era por que algo melhor estava por vir. 

Não sei em que momento eu parei de acreditar nessa coisa de destino.

Quando você cresce, você percebe que toda escolha tem sua consequência e que depende somente de você resolver as questões que se abrem como um leque à sua frente. 

Se algo deu certo, não foi por que estava destinado a ser, mas por que você lutou pra isso. 

Se algo deu errado, não foi o destino que te pregou uma peça, mas suas escolhas (feitas somente por você) foram ruins e você vai ter que levantar e lutar para consertar isso, no lugar de ficar deitado esperando o destino resolver.

Embora eu tenha crescido nesse aspecto eu não acho errado acreditar em destino. 

Às vezes as coisas ficam mais fáceis quando começamos a acreditar que tem alguma força invisivel nos conduzindo através da linha da vida; fica mais fácil quando acreditamos que a maioria das coisas do nosso futuro não depende apenas de nossas escolhas.

Essa uma opinião minha, qualquer pensamento contrário não está errado. Vivemos em um mundo de caos, onde cada um dá os seus passos de acordo com aquilo que acredita. 

Eu simplesmente acredito que não devemos deixar o destino interferir no nosso poder de escolha. O amanhã é incerto, não existe uma história pré-definida. Somos livres para ir atrás de tudo aquilo que desejamos. 

Não precisamos esperar sentados que o destino coloque algo ou alguém em nossas vidas. Infelizmente, a única coisa certa é a morte e, nesse breve intervalo, temos que aproveitar a vida ao máximo e fazer valer a pena.

Termino aqui com um texto de um dos melhores filmes que já assisti:

"A maioria dos dias do ano são irrelevantes. Eles começam e terminam sem nenhuma lembrança duradoura entre eles. A maioria dos dias não tem impacto no percurso da vida. Não se pode atribuir um grande significado cósmico a um simples evento na terra. Coincidência é tudo o que uma coisa é, nada mais do que coincidência. Não existem milagres, não existe esta coisa do destino, nada é para sempre... ("500 dias com ela")."

*     *     *

Não Escrito
(by Natasha Bedingfield) 

Eu estou em branco, não pode ler minha mente, eu sou indefinida
Estou apenas começando, a caneta está em minha mão
Com final não planejado

Encarando a página em branco à sua frente
Abra a janela suja
Deixe o sol iluminar as palavras que você não pôde achar
Tentando alcançar algo a distância
Tão próximo que você quase pode provar
Liberte suas inibições

Sinta a chuva na sua pele
Ninguém pode senti-la por você
Somente você pode deixar entrar
Ninguém mais, ninguém mais
Pode dizer as palavras em seus lábios
Se molhe nas palavras não ditas
Viva sua vida com braços abertos
Hoje é o dia em que seu livro começa
O resto ainda não foi escrito

Oh, oh

Eu quebro tradições, algumas vezes minhas tentativas,são fora dos padrões
Nós fomos condicionados a não cometer erros
Mas eu não posso viver desse jeito

Encarando a página em branco a sua frente
Abra a janela suja
Deixe o sol iluminar as palavras que você não pôde achar
Tentando alcançar algo a distância
Tão próximo que você quase pode provar
Liberte suas inibições
Sinta a chuva na sua pele

Ninguém pode senti-la por você
Somente você pode deixar entrar
Ninguém mais, ninguém mais
Pode dizer as palavras em seus lábios
Se molhe nas palavras não ditas
Viva sua vida com braços abertos
Hoje é o dia em que seu livro começa
O resto ainda não foi escrito

Encarando a página em branco a sua frente
Abra a janela suja
Deixe o sol iluminar as palavras que você não pôde achar
Tentando alcançar algo a distância
Tão próximo que você quase pode provar
Liberte suas inibições

Sinta a chuva na sua pele
Ninguém pode senti-la por você
Somente você pode deixar entrar
Ninguém mais, ninguém mais
Pode dizer as palavras em seus lábios
Se molhe em palavras não ditas
Viva sua vida com braços abertos
Hoje é o dia em que seu livro começa

Sinta a chuva na sua pele
Ninguém pode senti-la por você
Somente você pode deixar entrar
Ninguém mais, ninguém mais
Pode dizer as palavras em seus lábios
Se molhe nas palavras não ditas
Viva sua vida com braços abertos
Hoje é o dia em que seu livro começa
O resto ainda não foi escrito
O resto ainda não foi escrito
O resto ainda não foi escrito


BEM VINDOS AO MEU BLOG, DEIXEM UM COMENTÁRIO!!!!!